- Biografia de Sergei Prokofiev
Nascido em 23 de abril de 1891, em Moscou, Sergei foi um prodígio na música. Aos 14 anos já havia escrito 4 óperas e com posto peças para piano e orquestra. E São Petersburgo, sob a orientação de Rimski-Korsakov e Tcherepnin. Com a revolução, Prokofiev exilou-se no exterior por vários anos, o que foi bom de certo modo, pois ele pôde ter contato com cineastra Eisenstein, o qual criou diversas peças para seus filmes, dentre os quais, se destacam Ivã, O Terrível e Alexander Newsky.
Quando Sergei retorna á URSS, já havia uma alteração política sem igual. O novo sistema exigia uma comunicação maior entre o artista e o público, fazendo com que a obra de Prokofiev exiba um tom muito mais popular e acessível.
Sergei Prokofiev faleceu em 1953 faleceu vítima de uma hemorragia cerebral o que fez com que várias de suas obras ficassem inacabadas. Fato curioso é que Sergei faleceu no mesmo dia e hora de Stalin. Isto fez com que, por três dias, o povo chorasse sua morte na Praça Vermelha, o que impedia o corpo de Sergei de deixar o velório. Ainda, seu túmulo teve de ser ornado por flores artificiais já que todas estavam á disposição de Stalin. Nem um recital musical foi possível em seu velório,s endo tocada a marcha fúnebre de Romeu e Julieta em um velho toca-fitas. Existe uma lenda que conta sobre o velório de Prokofiev, que o toca-fitas apresentou defeito bem no meio da execução da marcha fúnebre terminando-a bruscamente num zunido.
O fato de Prokofiev ter falecido no mesmo dia e hora de Stalin fez com que sua morte ficasse despercebida, sendo noticiado dias depois apenas pelo jornal “A Voz da América”.

- Nacionalismo Russo x Neoclassicismo
Naquela época, onde haviam Stravinsky e Tchaikovsky, o Nacionalismo Russo estava á todo vapor. O Estado encomendava peças aos compositores, e a música russa era encorpada e cheia de emoção e movimento.
Mas Prokofiev ia um tanto contra esta tendência. O Neoclassicismo estava inundando o mundo como ocorria também com o Neobarroco, tudo isto fazendo parte da modernidade vivida em todos os âmbitos da arte.
Prokofieve, segundo diversos autores, buscou no neoclassicismo a inspiração de sua obra, não deixando de lado o Nacionalismo Russo, pelo menos enquanto residia em Moscou. Mas com sua saída para o exterior, aproveitou o Neoclassicismo e trouxe para si a modernidade da época. Vejamos que o Neoclassicismo buscava novamente, como o fez o classicismo, inspiração na cultura greco-romana da antiguidade. Contudo, busca uma linguagem mais simples, o que produziu músicas mais acessíveis ao público não especializado. Foi a faze mais popular de Prokofiev, que também foi a maior influência em sua produção musical.
- A Obra de Prokofiev
A produção artística de Prokofiev foi marcada pelo seu aspecto revolucionário. Do mesmo modo que o jovem Prokofieve se metia em manifestações revolucionárias em plena Rússia, o compositor Prokofieve repentinamente se vê envolto com o neoclassicismo e com produção de trilhas sonoras para os filmes de Einsenstein.
Toda esta riqueza fez com que a obra de Prokofieve fosse do Nacionalismo Russo ao Neoclassicismo, e do humor á seriedade. Da Ópera ao poema infantil.
Destacam-se os balés Romeu e Julieta (1938) e Cinderela (1945), a Ópera Guerra e Paz (1941-1952), sem deixar de mencionar as diversas sinfonias e suítes.
4. Ponderações sobre a Obra de Prokofiev
4.a. O Poema Sinfônico Peter and the Wolf
Pedro e o Lobo foi reproduzido várias vezes por teatros de bonecos e até pela Disney, versão esta que ficou conhecida mundialmente. Trata-se de uma inovação, onde a trilha sonora é interpretada pela cênica. Ocorre que normalmente, a trilha sonora serve de apoio emocional para a cênica, reforçando sentimentos de medo, carinho e suspense. Com Pedro e o Lobo, os instrumentos tornam-se os protagonistas, por exemplo, Pedro sendo interpretado pelo conjunto de cordas, e o pato por um oboé. O pássaro por uma flauta transversal.
As imagens apenas reforçam a idéia transmitida pelos instrumentos. Realmente, como estudante de música, fiquei bastante empolgado com a idéia. Ver as imagens e ouvir os instrumentos executarem, além de uma trilha sonora, uma verdadeira sonoplastia, foi revelador.
Pedro e o Lobo parte 1
Pedro e o Lobo parte 2
4.b. Ballet Romeu e Julieta
De tudo o que ouvi sobre Prokofiev, Dance of the Knights foi realmente o que mais me envolveu. Seu brilhantismo, sua seriedade, sobriedade em seus intervalos. A dança formada pelo tema em oitavas, fazendo por si só um ballet.
Pelo que percebi a música de Prokofiev é perfeita em si mesma, subsistindo sem a necessidade da cênica, mesmo quando criada para acompanhá-la.
Esta composição, “Dance of Knights” é digna de ser observada como ícone além de seu tempo, perdurando até os dias de hoje, pois ainda transmite, como de fato me transmitiu, toda a seriedade e beleza mórbida do Gótico atual. Digo atual, pois difere do movimento oitentista.
Acredito que assemelha-se á trilha sonora de Dracula de Bram Stocker filmado por Coppola, ou O Lobisomen, recente filme de horror gótico de Joe Johnston, onde mesmo com todos os efeitos especiais e imagens digitais, necessitam de trilhas sonoras como “Dance of the Knight” para se tornarem obras-primas.
Vídeo feito com cenas de O Barbeiro Demoníaco e a música Dance of the Knights de Prokofiev. Percebam o efeito da música nas cenas.
5. Bibliografia
Enciclopédia Barsa - Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural
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